Calendário é fato

Em nossa postagem de hoje vamos começar com a seguinte afirmação: CALENDÁRIO É FATO E NÃO PLANEJAMENTO DE ESTUDO. Como assim?

Vamos supor que você acorde hoje com todo o gás e decida: – Vou estudar para concursos públicos!

Você está empolgado você não quer perder tempo você dá uma olhada no conteúdo programático do seu edital você seleciona uma matéria e um assunto que vai cair na sua prova você começa a estudar você quer passar.

Você não tem uma lista de afazeres (a fazer), você não tem uma estratégia delimitada, o seu sistema de estudo é aberto e progressivo (ou seja, o seu edital se forma conforme você estuda) mas apesar de tudo isso você tem CALENDÁRIO. Quer ver:

 

 

Ah! Mas assim fica fácil de comprovar o seu ponto de vista, você usou o programa para demonstrar isso e se ele o programa não tivesse sido usado não haveria calendário.

Na realidade não haveria registro, entretanto, conforme ressaltado, calendário é FATO, ele existe. Quando você estuda você reserva um tempo no seu dia para isso, inicia e conclui o seu estudo e isso é um evento voltado aos estudos.

A questão de conseguir visualizar ou não o que foi feito em um calendário é meramente registral, ou seja, se você faz o registro você conseguirá visualizar os seus eventos de estudo, se você não faz não conseguirá.

Tudo bem! Mas onde vocês querem chegar com essa afirmação?

Bom o planejamento de estudo está presente em diversos níveis e vamos falar sobre isso em um momento mais oportuno, mas ao que interessa no presente momento, uma das facetas desse planejamento reside justamente em buscar antever como os seus eventos de estudos serão alocados no calendário.

Assim, a proposta mais antiga que objetiva prever isso é o chamado QUADRO HORÁRIO. Ela consiste basicamente em, após mapear o tempo livre de estudo, prever uma semana estática e cumpri-la. Veja um exemplo:

Assim, os seus eventos de estudo serão alocados de acordo com uma estrutura pré-definida.

Uma outra proposta muito conhecida – que critica a primeira por considerá-la, entre outras coisas, muito rígida – é o chamado CICLO DE ESTUDO, divulgada por Alexandre Meirelles. De uma forma muitíssimo sintética ela consiste em montar um ciclo de uma determinada quantidade de horas e alocar as matérias em uma determina ordem e com duração dentro desse ciclo, sendo que elas são estudadas na ordem em que aparecem (se você falhar é só seguir o ciclo).

Recebemos em nosso stories, no Instagram, a imagem abaixo do @soprocuradorias e, após autorização, postamos aqui porque dá para ver certinho o ciclo nessa estrutura. Veja:

Vamos nos atentar, nesse momento, somente às disciplinas, é possível ver que essa estrutura possui 11 disciplinas, cada uma com duração de 1 hora (um ciclo de 11 horas portanto) e, tomando como base a primeira disciplina que apareceu, elas são estudadas na seguinte ordem:

1) Direito Civil; 2) Direito Processual Civil; 3) Direito do Consumidor; 4) Estatuto da Criança e do Adolescente; 5) Direito Penal; 6) Direito Constitucional; 7) Direito Eleitoral; 8) Direito Empresarial; 9) Direito Tributário; 10) Direito ambiental; e 11) Direito Administrativo.

Após repete. Isso é um exemplo de ciclo.

Agora existem proposta que não se encaixam nessas duas (pelo menos não na forma em que tradicionalmente são explicadas). Gerson Aragão, por exemplo, cita uma hipótese do estudo de apenas uma disciplina por semana (veja aqui) e transfere à revisão e questões o ônus de manter o conhecimento dos assuntos já estudados (o contato com as várias).

Agora fica mais fácil de voltar a afirmação feita no início da postagem. Quando se falou que CALENDÁRIO É FATO foi para salientar que  o planejamento não ocorre nele mas na fase que antecede a sua marcação, sendo que ele refletirá justamente a sua estratégia de estudo.

Essa informação é muito importante para chegar às seguintes conclusões:

a) Montar um cronograma de estudo, com base em um QUADRO HORÁRIO, é uma das formas de organizar os estudos e não a única;
b) Se você tiver uma lista de assuntos (a fazer) e associar a cada assunto uma fonte de estudo isso o auxiliará, por si só, a não se sentir perdido nos estudos, já que você pode, por exemplo, estudá-las em uma ordem preestabelecida, de acordo com a sua disponibilidade de tempo, sem, necessariamente, antever o cronograma;
c) A multiplicidade de propostas de organização dos estudos existentes, antes de preocupar, deve tranquilizar pois imagine se houvesse somente uma forma de fazer algo e você não se adaptasse a ela? Ficaria difícil não?

Dentro das três propostas que destacamos acima certamente as três terão elogios e críticas.

Em relação ao QUADRO HORÁRIO a crítica mais comum é de que a sua estrutura rígida atrapalha o remanejamento das disciplinas se houver falha. Em relação ao CICLO a crítica é de que há quebra de continuidade, principalmente quando há muitas disciplinas sendo estudadas ao mesmo tempo. Em relação a estudar somente uma por semana é porque você perderia o contato com várias.

O fato é que as propostas de organização de estudos, hoje, buscam criar algum arranjo que incentive o avanço no edital, com qualidade e de forma consistente, mesclando o tempo dedicado a isso com questões, revisão, leitura da lei seca, etc., e isso pode ser feito em QUADRO HORÁRIO, CICLOS DE ESTUDOS ou outra forma.

Veja que todas as citadas nesse artigo trabalharam com isso (a proposta acima dos ciclos você não vê questões nela porque certamente elas são feitas dentro do ciclo e edita-se o evento para o tipo questão na hora em que elas são feitas)

Agora, como criar esse arranjo? Qual é a estrutura adequada?

É justamente sobre isso que trataremos em breve, mas antes de entrar nesse assunto, é imprescindível conhecer as características de cada atividade classificada como hábitos de estudo – 1) “fazer questões”; 2) “revisar”; 3) “ler a lei seca”; 4) “simular a prova”; 5) “ler informativos”; 6) “ler súmulas”; e 7) “treinar discursiva – e qual a sua função específica e pois se elas entrarão no arranjo é preciso conhecê-las muito bem.

Conforme salientado no último post, começaremos por REVISÃO (essa foi uma introdução necessária), tendo em vista que, de todas, essa é que mais pode impactar o seu estudo, seja positivamente ou negativamente.

 

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