Lei Seca – Parte 3 – Fonte de estudo ou hábito de estudo?

O tema que vamos tratar hoje tem muito a ver com a própria dificuldade que encontramos para bolar no programa um estudo destacado da “Legislação Pertinente”, ou seja, tem a ver com a dificuldade que tivemos em classificar a “Lei Seca” como FONTE DE ESTUDO ou HÁBITO DE ESTUDO.

FONTE DE ESTUDO transmite a ideia “de onde provém o conhecimento”, ou seja, se você tem que estudar Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União você precisa escolher um material e é desse material que provirá o seu conhecimento (fonte de estudo), sendo que ele poderá ser um capítulo de um livro, uma aula de um PDF, uma videoaula, etc; ou poderá ser a própria Lei 8.112/90.

Caso você se depare com o tema “Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União” e decida que vai estudar esse assunto por um capítulo de um livro, esse capítulo será a sua FONTE DE ESTUDO, entretanto, caso você decida que para vencer tal tema e avançar no edital você irá somente ler a Lei 8.112/90, a própria lei é sua FONTE DE ESTUDO.

Remorando um dos nossos primeiros posts no blog, em nossa proposta, o Conteúdo Programático está relacionado com a parte de avançar no edital e HÁBITO DE ESTUDO é:

toda atividade que precisa ser feita durante os estudos, mas que não esteja, necessariamente, vinculada ao conceito clássico de avançar no edital, através do estudo teórico dos tópicos por uma determinada fonte de estudo (material)

qualquer atividade que transmita uma sensação de que, ao fazê-la, naquele tempo dedicado a ela, um novo assunto poderia ser iniciado ou um assunto iniciado poderia ser concluído

Nesse contexto, afinal, a “Legislação Pertinente” pertinente é uma FONTE DE ESTUDO ou um HÁBITO DE ESTUDO? Ao nos depararmos como esse questionamento a resposta que encontramos foi:

A LEGISLAÇÃO PERTINENTE POSSUI NATUREZA DÚPLICE POIS PODE SER TANTO FONTE DE ESTUDO COMO HÁBITO DE ESTUDO.

No exemplo acima – o da Lei 8.112/90 – se o estudante optasse por estudar Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União por um PDF, p.ex., ao término do estudo ele teria concluído esse assunto, ficando pendente a Leitura da Lei 8.112/90 que seria HÁBITO DE ESTUDO (veja a característica dos hábitos descritas acima), entretanto, se ele fosse “vencer” esse tópico somente pela Lei Seca (a Lei 8.112/90), esse estudo da Lei estaria associado a avançar no edital (dar baixa no assunto), sendo a Legislação Pertinente verdadeira FONTE DE ESTUDO.

Cumpre destacar que o programa, aliás, foi montado com essa característica, já que a legislação pertinente é uma fonte de estudo pesquisável, dentro do hábito Legislação.

Mas, por que é importante saber dessa diferença? Bom, por vários motivos, vamos elencá-los.

De início, é importante saber isso pela própria dicotomia “Conteúdo Programático x Hábitos”. Ao fazer o estudo teórico do tópico por uma fonte de estudo que não seja a lei seca é comum ter o sentimento de que, naquele tempo que você separou para a leitura da legislação, um novo assunto poderia ser iniciado ou concluído e, por isso, “Deve haver um bom motivo para isso!”.

Ou seja, é muito importante que o estudante se convença da importância dos hábitos (de que aquelas atividades influenciarão positivamente os seus estudos), sob pena de não fazê-los, já que os editais são longos e naturalmente queremos avançar neles e qualquer atividade que, de alguma forma, aparente obstar isso tende a ser rechaçada. Nesse ponto retomamos aquela diferença entre avançar no edital (Conteúdo Programático) e avançar nos estudos (Conteúdo Programático + Hábitos).

No caso da Lei Seca destacamos sua importância no primeiro artigo da série sobre revisão, quais sejam:

a) Alta porcentagem de questões que exigem o conhecimento do que está na lei;
b) Foco no significante;
c) Possibilidade de constante retomada/revisão do que já fora estudado.

Também é importante saber isso para constatar que, se você identifica a legislação do seu edital por disciplina (ou contrata um serviço que faça isso) e faz o estudo da “Lei Seca” de forma um tanto quanto independente do avanço teórico no edital, é menos provável que você se depare com essa questão, pois o estudo da Lei Seca corre em separado do avanço teórico do edital. Nesse estudo independente também é mais fácil separar um horário para “Ler a Lei Seca” pois haverá uma lista de A FAZER.

Entretanto, caso você condicione o estudo da “Lei Seca” ao avanço teórico dos tópicos do seu edital (estudo dependente) é mais comum que você enfrente essa dicotomia CONTEÚDO PROGRAMÁTICO X HÁBITOS.

Nesse estudo dependente também é mais difícil separar um horário para a leitura da Lei Seca pois como o estudo corre junto você pode ter separado um horário para “Ler a Lei Seca”, entretanto não ter concluído o assunto. Nesses casos boas opções são: 1) Ler a lei seca junto com o tópico (antes de iniciar ou logo após ter concluído); b) Aproveitar alguma das frequências de revisão para isso (Frequência 1-7-15-30, a de 15 será para leitura da Lei Seca, p.ex).

Por fim, é importante saber que, mesmo que você faça esse estudo da Lei Seca de forma condicionada ao avanço teórico no edital, para alguns assuntos somente o estudo da Legislação Pertinente bastará, sendo ela verdadeira FONTE DE ESTUDO.

É claro que é difícil ter essa confiança “esse tópico eu vou ler somente a lei seca para conclui-lo” e isso tem muito a ver com o primeiro artigo de nossa série sobre “Lei Seca”, ou seja, a distinção entre SIGNIFICADO e SIGNIFICANTE, mas muitas vezes você terá que fazer essa escolha pois, às vezes, o tempo é curto e o custo-benefício de um aprofundamento doutrinário em determinados temas é baixo.

Bom pessoal, por hoje é só e queríamos dar um recado. O próximo artigo do blog será feito pelo @legislacadestacada. Conversamos com eles e ele se propuseram a elaborar o artigo final da nossa série antes de entrarmos no hábito questões, abordando os temas finais, relacionados à atividade em si, ou seja, o que focar quando da leitura da legislação.

Então será um artigo que demorará um pouco mais, pois eles estão bastante ocupados no momento, mas que valerá muito a pena pois eles têm especialização na área. Essas parcerias com outras organizações que se especializaram no que classificamos no programa como hábitos é muito importante pois tem o potencial de enriquecer muito o blog. Aguardem