Revisão – Parte 1 – O que revisar?

Em nossa última postagem nós fizemos a afirmação calendário é fato e não planejamento de estudos. Essa afirmação é significativa para chegar a conclusão de que organizar os estudos não é montar um QUADRO HORÁRIO, um CICLO DE ESTUDOS ou estudar uma matéria até acabar para começar outra.

Organizar os estudos é, na realidade, criar um arranjo, uma estrutura, que tenha o potencial de levar à aprovação e esse arranjo pode assumir qualquer das formas descritas acima ou até mesmo outra não classificada entre elas.

Assim, quando pensamos em organização dos estudos pensamos em FINALIDADE, que é a aprovação. Você precisa olhar o que está fazendo e chegar a conclusão: “o que estou fazendo vai me levar à aprovação”. Isso é organizar os estudos.

Agora não é possível montar esse arranjo – com finalidade de aprovação – sem conhecer as características de cada uma das atividades classificadas como hábitos, pois são justamente elas que interferem significativamente na aprovação e também são elas as mais difíceis de serem encaixadas no estudo justamente por aquela característica que falamos de que, ao fazê-las, é normal ter a sensação de que um assunto novo poderia ser iniciado.

Entre todas as atividades classificadas como hábitos – 1) “fazer questões”; 2) “revisar”; 3) “ler a lei seca”; 4) “simular a prova”; 5) “ler informativos”; 6) “ler súmulas”; e 7) “treinar discursiva” –, certamente, REVISÃO é a mais difícil de pôr em prática e isso decorre principalmente pelo fato de ela depender muito do estudante.

Outrossim, muitas vezes, algumas propostas que visam a explicar COMO REVISAR se preocupam em demasia em explicar o conceito de Curva do Esquecimento, Sistema de Repetição Espaçada e Frequência de Revisão (QUANDO REVISAR), mas se esquecem de explicar a outra faceta dessa atividade que é a eleição do conteúdo a ser revisto (O QUE REVISAR).

Quando falamos em REVISÃO podemos afirmar que ela tem, ao menos, duas máximas:
1. Ao revisar você precisa ter a sensação de que aquilo foi útil;
2. O ato de revisar deve ser célere;

Caso, ao pôr em prática as revisões, você sinta que aquilo toma um tempo considerável e não veja finalidade naquilo você cairá no que convencionamos chamar de REVISÃO PRO FORMA que ocorre quando você não adota uma técnica de quando revisar e/ou não produz um material para revisar (não faz a eleição do conteúdo a ser revisto) e, por não ter feito isso, acaba tendo muita coisa para estudar na revisão, sem conseguir identificar o que era importante, se realmente havia esquecido aquela informação, de modo que sente que está perdendo tempo e faz a revisão por pura formalidade (pro forma).

Então esse é contexto da revisão e agora já podemos falar em COMO REVISAR.

A ideia COMO REVISAR, conforme já adiantado, envolve duas questões:
1. O que revisar?
2. Quando revisar?

Nesse post vamos falar sobre “O que revisar” e em outro mais a frente falaremos sobre QUANDO REVISAR momento em trataremos sobre revisão voluntária, revisão provocada, curva do esquecimento, sistema de repetição espaçada e frequência de revisão.

O QUE REVISAR?

Quando pensamos em O QUE REVISAR temos que ter ciência de que a revisão envolve a eleição do conteúdo a ser revisto. Como assim?

Vamos supor que você leu um capítulo de um livro que tem 50 páginas e você deseja revisar aquele capítulo. Caso você não tenha produzido nenhum material decorrente do seu estudo (eleição do conteúdo a ser revisto) será bastante difícil revisar pois reler as 50 páginas se assemelharia mais a estudar de novo do que revisar e a revisão deixaria de ser célere.

Então, é necessário a produção de um material para que você possa revisar, em síntese, será necessária a ELEIÇÃO DO CONTEÚDO A SER REVISTO. Pois bem, como é que se faz isso?

Não existe uma única resposta, nós conseguimos identificar 5, a saber:
1. Grifos;
2. Anotações/Resumos;
3. Conversão do conteúdo em questões;
4. Esquemas;
5. Resumos prontos.

Cada uma tem vantagens e desvantagens e vamos tratar de todas.

De todos grifar o seu material é o meio mais célere de seleção de conteúdo para fins de revisão. É uma atividade que consiste basicamente em selecionar, no seu material, através de grifos, o que deve ser relido em uma eventual revisão.

Anotações/Resumos é também um método tradicional de produção de material com vistas à revisão. Consiste em anotar/resumir o que foi estudado para possibilitar a revisão posteriormente.

Grifos e anotações/resumos são os dois métodos clássicos de eleição do conteúdo a ser revisto e, potencialmente, também são os que mais tem a probabilidade de ocasionar uma revisão pro forma. Isso porque, muitas vezes, grifamos quase tudo pois achamos que tudo é importante ou anotamos muito conteúdo pelo mesmo motivo.

É dizer, a eleição do conteúdo a ser revisto geralmente acaba sendo prejudicada porque temos uma tendência a grifar conforme lemos ou anotar conforme estudamos – ou seja, ainda no primeiro contato com a matéria – e por não conseguirmos antecipar o que é importante grifamos ou anotamos/resumimos demais.

Além disso, no momento da revisão, esses dois métodos acabam não oferecendo uma dificuldade ao estudante. Como assim?

Bom, você retoma o que estudou de uma maneira muito fácil e, por vezes, acaba tendo uma tendência a acreditar que se recordava do conteúdo revisto, em síntese, você acaba não tendo a oportunidade de perceber que esqueceu ou que não aprendeu de forma satisfativa aquele conceito.

Assim, o primeiro método que visa promover ruptura com isso é a conversão do conteúdo estudado em questões. Ela funciona da seguinte forma: vamos supor que você estudou Administração Pública em Direito Administrativo. Visando a fazer uma futura revisão você elabora as seguintes questões:

1) O que é administração em sentido amplo e em sentido estrito?
2) CERTO OU ERRADO: Administração pública em sentido formal, orgânico ou subjetivo refere-se à atividade administrativa exercida.
3) A administração não pratica atos de governo; pratica, tão somente, atos de ________, com maior ou menor autonomia funcional, segundo a competência do órgão e de seus agentes.

Assim, quando for revisar, você não irá diretamente para o conceito grifado ou a anotação/resumo feito, mas irá passar pelas questões que o forçarão a lembrar do que foi estudado. Você terá, portanto, a oportunidade de perceber que esqueceu ou que não gravou bem o conceito.

Especificamente sobre esse ponto vale a pena trazer o conceito trabalhado pelo Smartyze/Memória10app em seu ebook para justificar essa técnica:

(…) O que acontece no estudo tradicional? Quando os concurseiros estudam, normalmente leem ou releem as apostilas. Isto é chamado de reconhecimento, uma forma de aprendizado mais passiva na qual você não é perguntado pela informação, até porque ela já está diretamente apresentada. É diferente da evocação. Nela, você é obrigado a procurar a informação na sua memória. (https://ebook.smartyze.com/)

É exatamente isso que essa técnica prega, tornar o ato de revisar mais desafiador.

E como elaborar essas questões? Basicamente, quem adota essa técnica, segue os seguintes princípios: 1) as questões devem ser curtas; 2) caso sejam elaboradas questões de CERTO OU ERRADO você não pode elaborar somente questões certas.
E onde essas questões devem ficar? Existem duas possibilidades:

a) Junto ao seu material (livro grifado, anotações). Nesse caso você coloca uma folha em branco (física ou digital) antes do capítulo/assunto, para elaborar as questões, por exemplo;
b) Você converte aquilo em flashcards e joga para um software com Sistema de Repetição Espaçada (Anki, Memoria10app, etc).

Aprofundaremos o item “b” quando falarmos sobre QUANDO REVISAR. Agora vamos falar sobre os esquemas. De certa forma eles se encaixariam no conceito de anotações, mas nós preferimos separá-los e atribuir esse nome para dar um destaque maior.

Quando você trabalha com a conversão do conteúdo em questões você pode formular questões que não passariam em um filtro de eleição do conteúdo a ser revisto. As técnicas abaixo, de outro giro, focam muito nesse aspecto, são elas:
a) Resumo por palavras-chaves;
b) Mapas mentais;
c) Técnica da Revisão comprimida.

No resumo por palavras-chaves você cria uma estrutura simplificada com os conceitos mais importantes do que estudou para ser facilmente revisado posteriormente.

No mapa mental, de outro giro, você tem uma ideia central e dessa ideia você puxa várias ramificações associadas a ela.

A técnica da revisão comprimida, por sua vez, consiste em limitar o local que receberá suas anotações. Você possui, por exemplo, só uma folha de papel A4 e você tem que encaixar todo o conteúdo do assunto que estudou ali.

Veja que as três, a rigor, são anotações, mas uma espécie de anotação demasiadamente preocupada com a eleição do conteúdo a ser revisto e, consequentemente, com a celeridade da revisão.

Você deve ter notado que em algumas nós passamos mais tempo e em outras menos tempo, isso tem um motivo, em várias delas há ótimos vídeos no Youtube explicando como funcionam. A ideia aqui era atribuir o contexto em que a revisão é inserida, então vamos deixar esses links aqui para vocês verem ótimas explicações sobre essas técnicas:

Grifos: https://bit.ly/2Ev59wz
Resumos por palavras-chaves: https://bit.ly/2UHpOmg
Técnica da Revisão Comprimida: https://bit.ly/2EjvHA6
Mapas mentais: “https://bit.ly/2NnY9lC”

Agora vamos falar sobre os resumos prontos (os quais podem assumir quaisquer das formas acima). O resumo pronto também é uma eleição do conteúdo a ser revisto, entretanto não é o estudante quem faz.

Muitos materiais já fornecem o material de revisão para o estudante, geralmente eles aparecem ao final da aula ou capítulo que contém um resumo ou quadro sinótico com os pontos mais importantes.

A grande vantagem disso é a economia de tempo, a desvantagem – não do material em si mas de usar somente ele para fins de revisão – é que o processo de eleição do conteúdo a ser revisto acaba não sendo feito, sendo que ele é um processo de aprendizagem bastante eficaz.

Quando você faz a eleição do conteúdo a ser revisto isso torna o seu estudo ativo e quando você pega pronto aquilo isso é mais uma fonte de estudo do que o produto da sua compreensão.

Agora não é possível negar por completo os resumos prontos. Muitas vezes um concurso abre com uma matéria nova, inesperada, de modo que não haverá tempo para produzir o próprio material de revisão o que faz com que questões e o resumo pronto sejam boas técnicas de retomada dos assuntos já vistos.

Aqui encerramos esse post sobre Revisão – parte 1, em que trabalhamos a questão da Eleição do Conteúdo a ser revisto, atividade essa que torna o seu estudo mais ativo e facilita a sua revisão. Esperamos que tenha sido produtivo

No próximo iriemos tratar sobre o momento em que se elabora esse material, ou seja, qual o melhor momento para fazer a eleição do conteúdo a ser revisto.