Revisão – Parte 2 – Qual o momento para elaborar o material de revisão

Em nossa última postagem falamos que a ideia COMO REVISAR envolve duas questões: 1. O que revisar? 2. Quando revisar? E que a revisão possui ao menos duas máximas: a) Ao revisar você precisa ter a sensação de que aquilo foi útil; b) O ato de revisar deve ser célere.

Naquela postagem trabalhamos somente “O que revisar” e afirmamos que essa atividade envolve a eleição do conteúdo a ser revisto e que o material produzido pelo estudante, nesse processo, é o produto da sua compreensão, sendo que esse material pode assumir diversas formas (grifos, anotações/resumos, conversão do conteúdo em questões, esquemas) bem como que essa atividade torna o estudo ativo e permite uma revisão célere.

Agora vamos falar sobre facilitadores para fazer isso e em qual momento produzir esse material.

A primeira e mais importante característica para tornar esse material bom se chama ENGAJAMENTO. Engajar significa o ato de participar voluntariamente para algum trabalho ou atividade. Em síntese você precisa estar engajado nos seus estudos, ter um comprometimento forte, o famoso FOCO, isso, por si só, tende a garantir uma qualidade maior do seu trabalho.

Essa é uma questão muito importante, mas existem técnicas que buscam auxiliar nisso. Vamos a elas:

Um delas ficou conhecida como estudo reverso das questões, consiste basicamente em resolver questões antes mesmo do estudo teórico do tópico. Nessa atividade você não fará o registro do desempenho em questões – já que o objetivo não é mensurar isso –, e lerá brevemente os comentários (de professores ou os melhores classificados)

Para essa técnica, ao fazer isso, você conseguirá verificar com antecedência a predileção da banca pelo assunto e, durante os seus estudos, na fase de produção do material, será mais fácil eleger o que é importante e mais cobrado (ex. antes do primeiro contato com Inquérito Policial você já faz uma quantidade razoável de questões para orientar o seu estudo)

Uma outra técnica conhecida é a chamada de SQ3R. Acrônimo para: 1) Survey (Examinar / Pesquisa); 2) Question (Perguntas); 3) Read (Leitura); 4) Recite (Recitar); 5) Review (Revisar). De forma muito sintética significa o seguinte:

1) Survey: Fazer uma primeira leitura, somente dos títulos, subtítulos, partes destacadas no texto e resumo ao final (se houver);
2) Question: Após, com base nessa primeira leitura, buscar formular perguntas – orais – sobre o que será estudado ou ler as perguntas do texto se houver.
3) Read: Na fase da leitura ela é feita com muita concentração e busca-se por respostas aos questionamentos feitos no item anterior
4) Recite: Nessa fase é que feita a eleição do conteúdo a ser revisto (grifo, anotações/resumos, etc)
5) Review: Por fim, essa é a fase de revisar propriamente dita em que você tem contato com o material produzido por você.

Essa é uma técnica completa de revisão no caso, utilizada integralmente ou em partes, algumas pessoas unificam as fases 3 e 4. A ideia aqui é apresentar o conceito e como essa ideia pode ser um facilitador ainda que aplicada somente em parte.

Por fim, temos os chamados Editais Esquematizados que auxiliam bastante nisso. Como vocês sabem somos parceiros do MeuEsquematizado, então vamos utilizá-lo como modelo:

DIAS 03 e 04 – FATO TÍPICO. CONCEITOS DE CRIME. FATO TÍPICO. CONDUTA. RESULTADO. NEXO DE CAUSALIDADE. IMPUTAÇÃO OBJETIVA. TIPICIDADE. CONTRAVENÇÕES PENAIS. INFRAÇÕES PENAIS DE REPERCUSSÃO INTERESTADUAL OU INTERNACIONAL. SUJEITOS DO CRIME. OBJETOS DO CRIME. CLASSIFICAÇÃO DAS INFRAÇÕES PENAIS.
Detalhadamente:
Conceito doutrinário e legal de crime (tem diferença, OK). Aprender todas as classificações (o livro do Cleber Masson é excelente nessa parte);
As teorias causal, final e funcional são especialmente importantes. No funcionalismo, deve ser feita e sabida a distinção entre Jakobs e Roxin (caiu na discursiva do MPPR, p. ex.). Saibam como cada uma dessas teorias estruturam o crime, especialmente no que tange à movimentação do dolo (se normativo, se natural, se na culpabilidade, se no fato típico). Atenção para o conceito de conduta em cada uma das escolas.
Vejam em Jakobs o Direito Penal do Inimigo (e já façam a comparação com o mínimo de Roxin, e o simbólico).
Responsabilidade penal da pessoa jurídica – reprovação social – admitida para crimes ambientais (único caso já regulamentado).
Toda a teoria do crime é importante, então decorem cada teoria (friso: atenção para a movimentação do elemento subjetivo).
Fato típico (todos os elementos devem ser estudados). Teoria da indiciariedade. Normas de extensão (temporal, causal e pessoal).
Conduta – cuidado para a ausência de conduta, e seu conceito sob a óptica final e causal.
Omissão – espécies e posição de garante.
Resultado (natural e jurídico). Classificação dos crimes quanto ao resultado (formal, material e de mera conduta).
Relação de causalidade – atenção redobrada. Todas as teorias, especialmente equivalência dos antecedentes (adotada), e imputação objetiva (mais importante para provas). Veja todas as vertentes da teoria da imputação objetiva (melhor dizendo não imputação objetiva).
Tipicidade – material e formal; Atenção para a material, pois está diretamente relacionada com o princípio da insignificância. Funções do tipo.

Entre outras características os editais esquematizados auxiliam muito nisso. Veja que não é um resumo pronto, mas um direcionamento que auxiliará na produção do seu material.

Agora, qual o melhor momento para produzir esse material? Pois bem, esse material pode ser produzido em dois momentos:
1) Durante o estudo do tópico;
2) Após o estudo do tópico.

Ao produzir o material durante o estudo do tópico você terá a sensação de ganho de tempo pois você o produz conforme avança no edital, mas poderá perder em qualidade já que é mais difícil eleger o que é importante nessa fase.

Ao produzir o material após o estudo você terá a sensação de que, naquele tempo, poderia ver um assunto novo, entretanto o material produzido tende a ganhar em qualidade pois será mais fácil eleger o que é importante (algumas propostas jogam a produção do material na revisão de 24 horas).

A rigor escolher se produz durante ou após é uma questão pessoal. Das técnicas acima a SQ3R prega que a produção seja feita, necessariamente, depois. O estudo reverso das questões e os editais esquematizados são compatíveis durante já que eles promoveram o primeiro contato, mas não há prejuízo em ser feito depois também.

E as técnicas, conforme ressaltado, são facilitadores, o engajamento nos estudos é muitíssimo importante nessa fase.

Encerramos aqui “O QUE REVISAR”. Falamos sobre a eleição do conteúdo a ser revisto e facilitadores da produção desse material. No próximo falaremos sobre “QUANDO REVISAR”, momento em que trataremos da própria importância das revisões.