Revisão – Parte 3 – Quando revisar? Por que revisar?

Avançando no tema revisão chegamos a parte do QUANDO REVISAR? Questão essa que também envolve POR QUE REVISAR?

Em relação ao segundo questionamento – POR QUE REVISAR? –, revisamos porque esquecemos e para não esquecermos revisamos. Basicamente isso. Qualquer texto que se preocupe com essa temática remeterá a uma informação semelhante a abaixo para justificar a importância das revisões:

Ebbinghaus apresentou, em 1885, a teoria sobre a Curva do Esquecimento (Forgetting Curve). De acordo com ela, após o aprendizado, haverá um natural declínio da informação na memória, sendo que a revisão é capaz de minorar esse problema.

Então esse é o fundamento: “não revisão = declínio da informação”. Geralmente esse conceito é representado pelo seguinte gráfico:

Imagem retirada do ebook: “O segredo dos aprovados”. Disponível em: https://ebook.smartyze.com/

Então se é importante revisar para evitar esse declínio, é exatamente aqui que entra o questionamento QUANDO REVISAR?

A primeira questão a se ter em mente é que não existe um indicador de desempenho que te ajude a tomar essa decisão. Em síntese, não existe algo que te avise:

Ei você esqueceu a matéria/está prestes a esquecer, então é hora de revisar!!

Quando você faz questões você aplica filtro:
1) de tempo (últimos 30 dias, v.g.);
2) de número de questões resolvidas; e
3) de desempenho nas questões.

Com base nessas informações, você toma uma decisão sobre quais questões resolver: 1) muito tempo sem resolver questões daquele assunto; 2) baixo número de questões resolvidas do assunto; 3) desempenho insatisfatório no assunto.

Como em revisão inexiste esse “painel de desempenho” surgem algumas propostas que buscam responder a pergunta QUANDO REVISAR, as quais podem ser divididas em:

a) Revisão voluntária; e
b) Revisão Provocada.

Vamos falar primeiro da revisão voluntária.

Um método que tenta responder essa questão e tem uma boa aceitabilidade é o chamado Sistema de Repetição Espaçada (SRS) com fundamento na Curva do Esquecimento.

Viu que na curva do esquecimento há um declínio da informação? Então, o Sistema de Repetição Espaçada (SRS) busca quebrar esse declínio com base em frequências preestabelecidas.

Você não sabe se realmente esqueceu, mas faz a revisão mesmo assim (presunção de que esqueceu) de acordo com uma frequência preestabelecida (um padrão). Veja agora o gráfico da curva do esquecimento associado a um sistema de repetição:

Imagem retirada do ebook: “O segredo dos aprovados”. Disponível em: https://ebook.smartyze.com/

Viram? Sempre que há um declínio da informação a revisão faz com o processo de aprendizagem volte ao ponto ideal/anterior e a cada revisão o declínio (esquecimento) é mais tênue em relação ao anterior o que permite que a próxima revisão demore mais a ser feita.

Então o Sistema de Repetição Espaçada (SRS) consiste em estabelecer uma frequência de repetição cada vez que um assunto é estudado ou visto.

As frequências variam muito de uma proposta para outra, mas a ideia é que, uma vez estabelecida (24 horas – 7dias – 30 dias, p.ex), você a siga para fazer suas revisões.

O sistema de repetição espaçada pode ser dividido em dois, de acordo com o material produzido:

1) Sistema de Repetição Espaçado (SRS) clássico: Utilizado para grifos, anotações/resumos, conversão de conteúdo em questões que ficam junto ao material e esquemas (resumos por palavras chaves, mapas mentais, revisão comprimida), etc.
2) Sistema de Repetição Espaçado com base em algorítimos: Utilizado para os flashcards (conversão de conteúdo em questões inseridos em um software SRS).

Vamos demonstrar no app um exemplo do SRS Clássico que ficará claro como funciona essa proposta:

VÍDEO – Explicando o Sistema de Repetição Espaçada Clássico

No exemplo do vídeo acima, após o estudo do assunto LINDB, foram deflagradas três revisões na frequência 1 dia – 7 dias – 30 dias. Ou seja, nesses dias, o estudante revisaria o material produzido por ele durante os estudos.

Nós fizemos um exemplo manual para ficar fácil de entender o conceito, entretanto o programa possui um campo para configurar o controle de revisões com base em frequências preestabelecidas (Tutorial aqui):

Agora o que é o SRS com base em algorítimos? Muito bem, alguns softwares buscaram criar esse sistema de repetição espaçada com base não no texto completo, mas em cada cartão de estudo. Existem vários softwares, o mais antigo deles acredita-se ser o SuperMemo e o mais conhecido é o ANKI.

Dentro da mesma proposta, mas específica para concursos, também existe o Memória10app (antes conhecido como Smartyze). Esse último é brasileiro e, portanto, é mais fácil consultar o suporte.

Nesses programas você insere as questões produzidas por você no sistema (flashcards) e o seu comprometimento é apenas separar um horário para revisar e tentar manter os cartões em dia ou fazer um número mínimo de cartões por dia.

Ao revisar você classificará os cartões em NÃO SEI, DIFÍCIL, FÁCIL ou MUITO FÁCIL e, com base na sua resposta, o algorítimo definirá quando você deve revisar (todos os softwares SRS tem uma estrutura semelhante a essa).

Caso você adote esse método, no nosso programa, você somente deixaria marcado o tempo dedicado à atividade específica de revisão sem referenciar assuntos pois é o programa de sua escolha que decide o que você revisará.

SRS com algorítimo e o nosso programa

E por que não se referencia nesse caso? Simples, porque, conforme informado, quem decide o que será revisado é um algorítimo. Nesse caso – no nosso programa – faz-se somente o registro do tempo dedicado à atividade revisão.

Então essas são as duas propostas mais famosas de revisão voluntária, as quais têm o mesmo fundamento (a curva do esquecimento) o que diferencia é o modo como você faz a eleição do conteúdo a ser revisto, se feito flashcards um programa controlará por cartão o que deve ser revisto, dos outros modos o sistema SRS é clássico.

Ainda dentro da revisão voluntária existem propostas mais abertas, do tipo: “é necessário um constante contato com o material”, as quais confiam bastante na síntese do material produzido – o que permite essa revisão constante -, e outras mais marcadas (sem tantas repetições), como: “revise o que foi estudado no dia anterior e, no final de semana, tudo o que foi estudado na semana, após somente revise quando terminar todas as disciplinas“, proposta essa que confia bastante nas questões e na atividade em si de eleger o que será revisto.

Ou seja, embora bastante hegemônica a proposta SRS, não é a única de revisão voluntária .

Quanto à revisão provocada essa é bastante simples e tem a seguinte premissa: “revise quando, após fazer questões, verificar que o seu desempenho não foi bom”. Ou seja, revise quando sentir necessidade e por isso provocada, você faz questões e percebe que precisa revisar pelo seu desempenho.

No geral essa aqui é sempre feita naturalmente pelo estudante até mesmo porque fazer questões (e ler os comentários quando houver e for necessário) é uma forma de retomada de assuntos vistos. E não é somente nas questões que essa necessidade ocorre, ela também está presente na leitura de informativos, p. ex., em que há uma informação nova de um assunto já estudado. É muito importante que, nessa fase da revisão provocada, haja a complementação do seu material de revisão em relação às informações novas importantes.

Terminamos aqui a parte do QUANDO REVISAR (E POR QUE REVISAR), nossa ideia foi apresentar um panorama geral do que existe, fundamentos, etc.  No próximo POST falaremos sobre os problemas mais comuns verificados nas revisões, suas possíveis causas e soluções de contorno para esses casos.