Revisão – Parte 4 – Dificuldades na revisão.

Até agora você viu a parte que fundamenta as revisões. POR QUÊ? O QUÊ? QUANDO? COMO? Está tudo muito legal, muito bacana, você se convence da importância de tal atividade e, na hora de pôr em prática, sente que não consegue avançar no edital e que o bônus é baixo em relação ao ônus suportado. Nós chegamos ao chamado OS PROBLEMAS DA REVISÃO.

Então neste POST trataremos sobre esse tema – não muito enfrentado diga-se de passagem –, bem como sugeriremos soluções aos problemas. Conforme falamos no post que antecedia a série sobre revisões esse hábito é o que pode impactar profundamente os seus estudos, seja positivamente ou negativamente, então por isso estamos o tratando com muita responsabilidade. Vamos começar.

Os principais problemas ao colocar em prática a revisão, geralmente, são os seguintes:

1) O tempo gasto com a produção do material é elevado e dificulta o avanço no edital;
2) O ato de revisar é:
2.1) Muito demorado;
2.2) Enfadonho, pois há uma sensação de que aquilo não fora esquecido;
3) Ao aplicar a frequência de revisões há um acúmulo que também dificulta o avanço no edital;
4) Há falta de percepção do tamanho do edital

Então vamos enfrentar ponto a ponto e seremos bastante diretos.

1) O tempo gasto com a produção do material para fins de revisão é elevado e dificulta o avanço no edital.

Isso pode ocorrer por vários motivos como:

1.1) Você ainda não está acostumado com o método que está utilizando:
Você analisa os vários modos de eleição do conteúdo a ser revisto – tratado em Revisão parte 1 – e opta por adotar um deles – ou até mais de um – e sente que muito tempo é gasto para fazê-los. Isso pode ocorrer não porque o método em si é ruim, mas porque você ainda não está acostumado com ele. Nesse caso é bom persistir para ver se o que falta não é treino, bem como colher os frutos de tal atividade. Caso realmente não se adapte a ele existem muitos outros, mude e teste até encontrar o ideal para você.

1.2) O momento que você escolheu para produzir o material para fins de revisão é posterior ao estudo o que naturalmente transmitirá a sensação de um novo tópico poderia ser iniciado:
Lembra que falamos que o material produzido é o produto da sua compreensão e que, algumas propostas, sugerem que esse material seja feito posteriormente, até mesmo na revisão de 24 horas. Pois bem, fazer isso é ter consciência de que você poderá ter esse sentimento (que um novo tópico poderia ser iniciado), então você tem que acreditar no que está fazendo (que a revisão é muito importante).
Outrossim, conforme salientado no post anterior, existem técnicas que auxiliam a melhorar a eleição do conteúdo a ser revisto, no primeiro contato com o assunto, como resolver questões – sem registrar o desempenho – antes mesmo do estudo (Gerson Aragão defende que se façam questões antes de iniciar o assunto. Veja: https://bit.ly/2Dd7Gd9).

Então se atente a isso e decida como fará.

1.3) O método escolhido de eleição do conteúdo a ser revisto é naturalmente demorado:
Às vezes é isso mesmo. De grifos a anotações/resumos, p.ex., existe uma diferença muito grande no tempo gasto para produção do material. Algumas propostas sequer consideram o resumo como um método de eleição do conteúdo a ser revisto e desaconselham a fazê-lo, como por exemplo Marco Dominoni para o qual:

Então, respondendo objetivamente à pergunta: devo fazer resumos? Não! O investimento do tempo é muito grande e mesmo fazendo os resumos você deverá reler o que resumiu. E isso leva muito tempo. Assim, indico que você deve sublinhar/destacar o que é mais importante na própria fonte de leitura (seja livro, caderno de aula ou vade).
Disponível em: https://bit.ly/2RwTTXx

É importante salientar que a abordagem do blog é descritiva (o que existe) e não prescritiva (o que você deve fazer), então trazemos opiniões para serem analisadas pelos nossos leitores em um contexto claro de onde se insere a discussão. Também é importante se atentar à semântica das palavras, algumas propostas podem chamar de resumo um processo extramente sintético o que não é o mesmo que Marco Dominoni aborda como resumo acima que é aquela atividade prolixa de resumir livros com as próprias palavras.

Mas essa é uma questão muito importante. Você deve analisar se o método que está utilizando de produção do material é viável ou não, tanto de acordo com a extensão do edital quanto com o seu próprio tempo disponível.

1.4) Você está usando muitas fontes de estudos para produzir o seu material:
Muitas vezes você quer deixar o seu material impecável com o máximo de informações possíveis e para isso começa a usar inúmeros materiais para complementá-lo. Será que isso é viável? Analisando o tamanho do seu edital será que realmente é possível fazer isso em todos os assuntos?
Uma das primeiras abordagens do blog foi de que, em regra, uma fonte de estudo por assunto. É claro que por vezes o assunto é difícil e demandará uma complementação, mas isso é exceção. Conforme ressaltamos é muito mais provável que você supra suas lacunas – e complemente seus materiais – resolvendo questões do que na multiplicidade de fontes de estudo.

1.5) A fase em que você se encontra pode não ser apropriada para adotar o seu método favorito:
No estudo regular (médio e longo prazo) pode ser que você tenha encontrado um método de produção do material e falado “é esse”, é através desse método que vou produzir o meu material de revisão e talvez esse método seja parcialmente demorado mas ele traz bom resultados.
Tudo está indo muito bem no estudo regular e, de repente, abre o edital de um concurso que você quer fazer e uma disciplina não esperada consta no edital.
Especificamente para aquele momento, o método que você gosta pode não ser o mais adequado. Nesses casos, para aquela disciplina nova, poderá ser adotado um método mais simples, como os grifos, principalmente se essa disciplina possuir muitas questões de concurso anteriores que podem ser utilizadas para complementar a atividade de “retomada” dos assuntos.
O processo de eleição do conteúdo a ser revisto torna o estudo ativo, conforme já salientado no último tópico, e por isso muitas propostas não tratam o resumo pronto como algo positivo e, de fato, em inúmeros casos não será, principalmente no estudo regular, entretanto quando o tempo é curto e você não produziu o seu material anteriormente, tentar se apropriar de um resumo pronto e complementar com questões pode ser uma boa opção.
Com certeza é melhor do que deixar de estudar uma disciplina inteira porque você insistiu em um método muito bom para o médio e longo prazo, mas não adequado na reta final do seu concurso em relação às disciplinas e assuntos faltantes.

2.1) O ato de revisar é muito demorado

Isso pode ocorrer pelos seguintes motivos:

2.1.1) Você não elegeu o conteúdo a ser revisto (ou não elegeu bem).
Aqui é autoexplicativo, o processo de revisão deve ser rápido e pode ser que o seu material tenha muita informação (p.ex. 4 conceitos de licitação grifados de acordo com 4 doutrinadores diferentes). Nesse caso a revisão também será demorada. É natural que a primeira revisão seja um pouco mais demorada em relação as próximas, mas a cada revisão elas devem ser mais rápidas.

2.1.2) Você tem muitas revisões diárias: trataremos sobre no item 3.

2.2) O ato de revisar é enfadonho, pois há uma sensação de que aquilo não fora esquecido.

Isso pode ocorrer pelos seguintes motivos:

2.2.1) A informação é recuperada de maneira muito simples, sem desafios.
Vamos supor que você vá revisar o conceito de preclusão e vá direto para o texto que esclarece que “preclusão é a perda do direito de manifestar-se no processo, isto é, a perda da capacidade de praticar os atos processuais por não tê-los feito na oportunidade devida ou na forma prevista.”.
Isso é muito diferente de você ler a palavra preclusão e tentar buscar na memória o conceito antes de retomar a informação. Pode ser que você até tenha esquecido, mas por fazer uma leitura sem desafio não perceba.
Essa atividade de buscar anteceder o conceito, antes de lê-lo, auxilia bastante na descoberta da utilidade da revisão. Alguns métodos de eleição do conteúdo a ser revisto se fundamentam nisso desde o início (conversão do conteúdo em questões, p.ex), outros não (grifos, resumos, anotações), para esses últimos é possível fazer focando nas palavras chaves e buscando anteceder o que será lido.

2.2.2) Você realmente não esqueceu.
A curva do esquecimento, embora científica, não tem como ser individualizada. Nós mesmo, além da deferência à teoria, a tratamos ainda como “ausência de indicador de desempenho”, ou seja, não existe um painel que fale: “– ei você esqueceu” e que te auxilie a tomar a decisão “devo revisar”, o que existe é uma presunção de esquecimento e por isso a revisão é voluntária o que ocasionará situações em que você realmente não esqueceu o que consta no seu material e isso é normal.
Nesse caso, e isso algumas propostas de estudo já indicam isso, é possível substituir um “evento de revisão” – veja bem um evento e não a atividade em si (a revisão de 7 dias, por exemplo) – por questões ou leitura da lei seca e complementar o material. Mas vamos falar sobre isso no próximo post em que enfrentaremos a famosa pergunta “posso substituir revisão por questões?

3) Ao aplicar a frequência de revisões há um acúmulo que também dificulta o avanço no edital.

A principal crítica ao Sistema de Repetição Espaçada com base na curva do esquecimento é que ela tem o potencial de afogar quem a está seguindo em revisões. Vítor Menezes do Tec Concursos fez essa crítica ao sistema, vamos deixar o link para você ler se tiver interesse: https://bit.ly/2RSYSkI

Pois bem, o acúmulo de revisões pode ocorrer pelos seguintes motivos:

3.1) A frequência estabelecida é curta demais e possui muitas repetições;
As vezes a frequência estabelecida possui muitas repetições em um curto espaço e é inviável (p.ex. 1h, 1d, 4d, 7d, 10d, 15d, etc). Isso também ocorre nos flashcards quando questões fáceis são avaliadas como médias somente para a repetição ser menos espaçada. Então é ideal estabelecer uma frequência adequada.

3.2) A repetição é deflagrada por evento/período/sessão de estudo e não após o assunto ser visto
Muitas vezes, quando a proposta de repetição espaçada com base na curva do esquecimento é explicada, o conceito de eventos não é levado em consideração. Por exemplo, adotando a frequência 1d – 7 dias – 30 dias cada assunto terá 03 revisões. Certo? Deveria ser, mas DEPENDE.
Será isso se você deflagrar somente após o assunto ser considerado visto, entretanto, se você deflagrar por evento/período/sessão de estudo você poderá aumentar e muito a quantidade de revisões por assunto. Quem estuda as disciplinas em ciclo de 01 hora, p.ex., pode levar vários eventos até concluir um assunto, se a cada uma dessas sessões de estudo (5 por exemplo para ver um assunto) essa pessoa deflagar três repetições serão 15 repetições para o mesmo assunto em vez de 03.

Assim, é possível adotar uma das três soluções seguintes:
a) Ou você quebra o seu assunto em partes para poder deflagrar a repetição somente em relação ao que foi visto no evento;
b) Ou você deflagra somente após o assunto ser visto;
c) Ou as revisões de 24 horas, que não dependem de um controle tão grande, são feitas por eventos exclusivamente em relação ao que foi estudado no dia anterior e as demais são deflagradas somente após o assunto ser considerado visto.
Particularmente acreditamos que a “b” e “c” são adequadas e o nosso controle em desenvolvimento no app MeuOrganizado se fundamentará na “b”.

4) Há falta de percepção do tamanho do edital
Esse problema afeta principalmente a eleição do conteúdo a ser revisto e geralmente ocorre com estudantes que trabalham com editais progressivos e sem controle de tempo dedicado aos tópicos, ou seja, aqueles editais que vão se formando conforme se estuda.
Nesse sistema aberto você somente tem um tópico “a estudar”, que é aquele que está trabalhando atualmente, assim você usa todo o tempo do mundo para produzir um super material e não o tempo disponível (ou razoável).
De outro giro, se o seu edital é fechado e regressivo, ou seja, você já sabe os tópicos que tem que estudar e faz o controle do tempo para cada assunto (eventos, dias, etc) a tendência é que, naturalmente, você já identifique, de plano, se o tempo dedicado a essa atividade de produção do material é adequada.

Finalizamos aqui essa postagens sobre os principais problemas da revisão, porque acontecem e possíveis soluções.

No próximo e último post da série sobre revisões vamos fazer um apanhado de tudo o que foi tratado – uma revisão 🙂 – e enfrentaremos a famosa pergunta: “posso substituir revisão por questões?